Edição 123 - Julho/ 2008
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CUIDE DE VOCÊ (TAMBÉM)

Por mais que pareça impossível, toda mãe deve reservar umas horas para fazer o que gosta, além de mimar o bebê

por KARINA FUSCO

Ir ao cabeleireiro, fazer as unhas, sentar-se com tranqüilidade pa ra ler um livro ou uma revista, curtir um dia de sol, ir à academia ou tomar um chopinho e bater papo com as amigas são atividades comuns para muitas mulheres. Mas se você é mãe de bebê, encontrar tempo para momentos como esses é tão difícil quanto achar um diamante no meio da rua. Esta dedi cação quase exclusiva é natural por que, afinal, a cri an ça precisa de muitos cuidados por ser completamente dependente. Contudo, é preciso que tudo isso tenha um limite para seu próprio bem-estar. Em todas as casas a história se repete: nos primeiros anos de vida do filho, a família inteira volta suas atenções para ele. Sem dúvida, é a mãe quem dedica mais tempo. Por causa disso, acaba colocando em segundo plano os cuidados que deveria ter com ela mesma. O resultado, geralmente, é uma sensação de frustração. Primeiro, a necessidade de se dedicar não tem fim e você sempre vai achar que ficou faltando alguma coisa. Segundo, pode começar a cobrar da criança, mesmo que incons cientemente, por não ter tempo de cuidar de si mesma. E, por fim, vai ficar insatisfeita com seu corpo, sua vida social, sua bagagem cultural, seu lazer... Então, é indispensável dar a si mesma uma folga de vez em quando, sem qualquer rastro de culpa. De acordo com a psicóloga Angela Oliva, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Esta dual do Rio de Janeiro e pesquisadora do Instituto do Milênio, essa dedicação intensa ao bebê é um mecanismo biológico já que, no momento do parto, são liberados hormônios que modificam o estado emocional da mulher, fazendo com que ela fique completamente envolvida com o filho. "Mas o lado bio lógico entra em conflito com os apelos sociais e culturais. É por isso que a mu lher sente falta de um tempinho para si mesma", afirma. A psicóloga Tania Gra nato, coordenadora do Serviço de Aten dimento à Gestante e ao Pós-Parto do Instituto de Psicologia da Univer sidade de São Paulo, explica que este estado de preocupação que a mãe vive em relação aos cuidados com o bebê vem da gestação, instala-se definitivamente no momento do parto, mas tende a diminuir com o passar dos me ses. "É um estado especial. Mas essa necessidade de contato intenso tende a encontrar um equilíbrio à medida em que os meses passam e o bebê cresce", diz. A natureza é sábia e isso acontece porque a criança, pouco a pouco, torna- se menos dependente. No início, quando mama no peito, nada substitui a mãe. Depois, quando passa à papi nha, ao suco e às frutas, já pode tranqüilamente ser alimentada por outra pessoa. Aí, começa a andar e também quer um pouco de independência. Nesses momentos, cabe a você perceber que o filhote consegue sobreviver por algumas horinhas longe da sua presença. "A mulher tem de analisar se não consegue cuidar de si por ser uma fase passageira, no caso de a criança ter 2 meses de vida, ou se o filho já está grande e, mesmo assim, ela não se sente segura nem para deixá-lo com uma pessoa para ter um tempinho exclusivo", completa Tania Granato

Faça seu roteiro
É hora de pensar um pouquinho em você, fazer um programa sozinha ou acompanhada do marido. Há quanto tempo não faz isso? Para ficar tranqüila, trace um itinerário:
1. Escolha um programa que realmente esteja querendo fazer.
2. Determinada data e hora, pense na melhor pessoa para cuidar da criança: o pai, sua mãe, a sogra, a babá...
3. Avise a pessoa com antecedência para que, caso ela não esteja disponível, possa pensar em outra opção.
4. Se seu filho for maiorzinho, no dia do compromisso ou um dia antes, explique a ele que você vai sair para se divertir um pouco, mas logo estará de volta para se curtirem novamente.
5. No dia, peça à pessoa que vai cuidar da criança chegar antes para que você possa se arrumar com tranqüilidade.
6. Saia sem culpa, você merece. Mas, se for para sua tranqüilidade, deixe o celular ligado.

É natural dar atenção quase integral ao recém-nascido. No entanto, o pequeno ganha independência aos poucos, o que permite à mãe ter momentos só dela

Supermulher
Antigamente, quando a mulher se tornava mãe, tinha por perto várias pessoas da família que a ajudavam a tomar conta da criança. Na época, o mercado de trabalho era ocupado predominantemente pelos homens. Mas o sexo feminino foi conquistando cada vez mais espaço fora de casa e o reflexo disso é que hoje a rede familiar de apoio não é tão grande e fica cada vez mais difícil contar com ajuda constante dos parentes. Daí que algumas mães querem fa zer tudo sozinhas. "Elas pensam que a maternidade é algo solitário, onde tudo fica por conta apenas da mãe, mas a verdade é que todas elas precisam de ajuda para cuidar dos filhos desde o começo, senão se sentem sufocadas", diz Tania Granato. A ajuda pode vir da babá, das tias, do marido, dos sogros... O essencial é que a mãe confie na pessoa com quem está deixando o filho para sair tranqüila e aproveitar aquele tempi nho só dela. Segundo Tania, as mães devem deixar de lado a culpa. "A folga é saudável, e elas têm todo o direito de respirar." Tenha em mente que nenhuma mãe precisa ficar o tempo todo só cuidando do bebê. De acordo com Angela Oliva, conforme a criança vai crescendo, ela quer que sua mãe tenha vida social e que seja antenada com as coisas do seu tempo. Afinal, qual criança se orgulha de ver a mãe malcuidada e sem contato com o mundo externo enquanto as mães dos amiguinhos estão sempre bonitas e sabem res ponder suas dúvidas? "O lado social é fundamental pois somos seres bio lógicos e vivemos inseridos numa cultura", afirma. Para a psicóloga, o segredo para se sair bem nesta situação é buscar um ponto de equilíbrio.

 
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