Ir ao cabeleireiro, fazer as
unhas, sentar-se com tranqüilidade
pa ra ler um livro
ou uma revista, curtir um
dia de sol, ir à academia ou tomar um
chopinho e bater papo com as amigas são
atividades comuns para muitas mulheres.
Mas se você é mãe de bebê, encontrar
tempo para momentos como esses
é tão difícil quanto achar um diamante
no meio da rua. Esta dedi cação quase
exclusiva é natural por que, afinal, a
cri an ça precisa de muitos cuidados por
ser completamente dependente. Contudo,
é preciso que tudo isso tenha um
limite para seu próprio bem-estar.
Em todas as casas a história se repete:
nos primeiros anos de vida do filho,
a família inteira volta suas atenções
para ele. Sem dúvida, é a mãe quem
dedica mais tempo. Por causa disso,
acaba colocando em segundo plano
os cuidados que deveria ter com ela
mesma. O resultado, geralmente, é
uma sensação de frustração. Primeiro,
a necessidade de se dedicar não tem
fim e você sempre vai achar que ficou
faltando alguma coisa. Segundo, pode
começar a cobrar da criança, mesmo
que incons cientemente, por não ter
tempo de cuidar de si mesma. E, por
fim, vai ficar insatisfeita com seu corpo,
sua vida social, sua bagagem cultural,
seu lazer... Então, é indispensável dar a
si mesma uma folga de vez em quando,
sem qualquer rastro de culpa.
De acordo com a psicóloga Angela
Oliva, professora do Instituto de
Psicologia da Universidade Esta dual
do Rio de Janeiro e pesquisadora do
Instituto do Milênio, essa dedicação
intensa ao bebê é um mecanismo biológico
já que, no momento do parto,
são liberados hormônios que modificam
o estado emocional da mulher,
fazendo com que ela fique completamente
envolvida com o filho. "Mas o
lado bio lógico entra em conflito com os
apelos sociais e culturais. É por isso que
a mu lher sente falta de um tempinho
para si mesma", afirma. A psicóloga
Tania Gra nato, coordenadora do Serviço
de Aten dimento à Gestante e ao
Pós-Parto do Instituto de Psicologia
da Univer sidade de São Paulo, explica
que este estado de preocupação que a
mãe vive em relação aos cuidados com
o bebê vem da gestação, instala-se definitivamente
no momento do parto,
mas tende a diminuir com o passar
dos me ses. "É um estado especial.
Mas essa necessidade de contato intenso
tende a encontrar um equilíbrio
à medida em que os meses passam e
o bebê cresce", diz.
A natureza é sábia e isso acontece
porque a criança, pouco a pouco, torna-
se menos dependente. No início,
quando mama no peito, nada substitui
a mãe. Depois, quando passa à
papi nha, ao suco e às frutas, já pode
tranqüilamente ser alimentada por
outra pessoa. Aí, começa a andar e
também quer um pouco de independência.
Nesses momentos, cabe a você
perceber que o filhote consegue sobreviver
por algumas horinhas longe da
sua presença. "A mulher tem de analisar
se não consegue cuidar de si por
ser uma fase passageira, no caso de a
criança ter 2 meses de vida, ou se o filho
já está grande e, mesmo assim, ela
não se sente segura nem para deixá-lo
com uma pessoa para ter um tempinho
exclusivo", completa Tania Granato
Faça seu roteiro
É hora de pensar um pouquinho em você, fazer um
programa sozinha ou acompanhada do marido. Há quanto
tempo não faz isso? Para ficar tranqüila, trace um itinerário:
1. Escolha um programa que realmente esteja
querendo fazer.
2. Determinada data e hora, pense na melhor pessoa
para cuidar da criança: o pai, sua mãe, a sogra, a babá...
3. Avise a pessoa com antecedência para que, caso
ela não esteja disponível, possa pensar em outra opção.
4. Se seu filho for maiorzinho, no dia do compromisso
ou um dia antes, explique a ele que você vai sair para se
divertir um pouco, mas logo estará de volta para
se curtirem novamente.
5. No dia, peça à pessoa que vai cuidar da criança chegar
antes para que você possa se arrumar com tranqüilidade.
6. Saia sem culpa, você merece. Mas, se for para sua
tranqüilidade, deixe o celular ligado.
É natural dar atenção quase integral ao
recém-nascido. No entanto, o pequeno
ganha independência aos poucos, o que
permite à mãe ter momentos só dela
Supermulher
Antigamente, quando a mulher se
tornava mãe, tinha por perto várias
pessoas da família que a ajudavam
a tomar conta da criança. Na época,
o mercado de trabalho era ocupado
predominantemente pelos homens.
Mas o sexo feminino foi conquistando
cada vez mais espaço fora de casa e o
reflexo disso é que hoje a rede familiar
de apoio não é tão grande e fica
cada vez mais difícil contar com ajuda
constante dos parentes. Daí que algumas
mães querem fa zer tudo sozinhas.
"Elas pensam que a maternidade é algo
solitário, onde tudo fica por conta
apenas da mãe, mas a verdade é que
todas elas precisam de ajuda para cuidar
dos filhos desde o começo, senão se
sentem sufocadas", diz Tania Granato.
A ajuda pode vir da babá, das tias, do
marido, dos sogros... O essencial é que
a mãe confie na pessoa com quem está
deixando o filho para sair tranqüila e
aproveitar aquele tempi nho só dela.
Segundo Tania, as mães devem deixar
de lado a culpa. "A folga é saudável, e
elas têm todo o direito de respirar."
Tenha em mente que nenhuma mãe
precisa ficar o tempo todo só cuidando
do bebê. De acordo com Angela
Oliva, conforme a criança vai crescendo,
ela quer que sua mãe tenha vida
social e que seja antenada com as
coisas do seu tempo. Afinal, qual
criança se orgulha de ver a mãe malcuidada
e sem contato com o mundo
externo enquanto as mães dos amiguinhos
estão sempre bonitas e sabem
res ponder suas dúvidas? "O lado social
é fundamental pois somos seres
bio lógicos e vivemos inseridos numa
cultura", afirma.
Para a psicóloga, o segredo para se
sair bem nesta situação é buscar um
ponto de equilíbrio.