É só o baixinho tossir ou espirrar para as dúvidas
aparecerem: "Será que ele está resfriado?",
"Talvez seja alérgico!", "É pneumonia?".
Se você reage assim ao menor sinal de gripe
do filhote saiba que não há tantos motivos para preocupação.
Acontece que o sistema imunológico do bebê ainda
está em formação e, justamente por isso, é mais suscetível
às doenças. "Infecções e inflamações são comuns entre as
crianças, principalmente quando entram na escolinha ou
no berçário e passam a ter contato com os amiguinhos, que
transmitem microorganismos", explica Renata Cocco, pediatra
e alergista da Unifesp (Universidades Federal de São
Paulo). O bom é que, apesar de chatas, estas doenças contribuem
para o fortalecimento do sistema imunológico infantil,
pois o organismo passa a criar anticorpos contra elas.
No inverno, a tendência dos nenês adoecerem é ainda
maior. A explicação para isso é simples: basta os termômetros
baixarem para que as pessoas tranquem as janelas de
casa e se reúnam em ambientes fechados, o que facilita a
transmissão de vírus e bactérias. O vento, o frio e a poeira
também contribuem para que o número de doenças aumente,
pois estimulam a produção de catarro, favorecendo
a colonização de microorganismos infecciosos. Agora
que você sabe por que o nenê vez ou outra fica doentinho,
aprenda um pouco mais sobre cada uma das enfermidades
mais comuns do inverno.
Asma ou Bronquite
O QUE É: também conhecida como bronquite
asmática, é uma inflamação dos brônquios
e bronquíolos desencadeada pelo contato
com substâncias irritantes ou por infecções
respiratórias causadas por vírus e bactérias. "É
comum que a asma dê seus primeiros sinais
após algum resfriado ou gripe", alerta Renata
Cocco. Estes elementos irritam a mucosa nasal,
produzindo catarro em excesso e reduzindo o
calibre dos tubos responsáveis pela passagem
de ar, o que dificulta a respiração. "A doença tem
componentes genéticos, ou seja, crianças com
casos de asma na família estão mais propensas
a desenvolvê-la", explica Renata. Os fatores
desencadeantes da asma são chamados de
alérgenos e os principais são: ácaro, poeira, mofo,
pólen e pêlo de animais. Alguns outros fatores
como fumaça, poluição e alterações bruscas de
temperatura também podem piorar o quadro.
Entre os sintomas estão tosse, acompanhada
ou não de catarro, falta de ar, chiado e aperto
no peito. Eles podem aparecer a qualquer
momento do dia, porém são mais freqüentes no
período da manhã e da noite, quando há queda
de temperatura. O diagnóstico é feito por análise
clínica, na qual o médico observa os sintomas do
paciente e o histórico familiar da doença, e da
espirometria, exame que quantifica o volume de
ar que sai do pulmão.
COMO EVITAR: o ideal é deixar o ambiente em
que a criança freqüenta bem higienizado. "Para
isso deve-se evitar tudo o que acumula poeira
como cortinas de tecido, carpetes, plantas com
xaxim, bichinhos de pelúcia, livros em estantes,
além de aquários, que formam bolor, e cigarro",
orienta Gilberto Petty, pediatra e pneumologista
infantil da Unifesp, Universidade Federal de São
Paulo. Também é importante que o colchão e o
travesseiro do bebê tenham uma capa própria
contra alérgenos e que se use edredom em vez
de cobertor.
TRATAMENTOS: não há uma cura definitiva
para o problema, mas o médico costuma indicar
medicamentos nos momentos de crise asmática,
geralmente um antiinflamatório (inalado via
oral), como o corticóide.
Rinite
O QUE É: trata-se de uma inflamação da mucosa nasal
medicamentosa ou alérgica. Assim como a asma,
ela é desencadeada pelo contato com substâncias
alérgenas, mas em vez de atingir as vias aéreas
inferiores (brônquios e bronquíolos), surge nas vias
superiores, ou seja, no nariz. "Os alergênicos como fezes
de ácaros e de baratas, mofo e mudanças bruscas de
temperatura aumentam a produção de muco no nariz,
obstruindo a respiração", esclarece Renata Cocco. O
resultado são espirros, coriza, coceira e entupimento do
nariz. A doença também tem componentes genéticos
e pode ser desencadeada após um resfriado ou gripe,
devido ao acúmulo de muco. O diagnóstico é feito com
uma análise clínica do histórico da doença do bebê e
da família, exame de sangue e testes cutâneos para
descobrir se há alergia ou não.
COMO EVITAR: o segredo é deixar o ambiente onde
a criança vive bem higienizado. "Deve-se evitar o
acúmulo de poeira e mofo, retirando bichinhos de
pelúcia do quarto e ficando atenta para a existência de
baratas na casa", fala Gilberto Petty.
TRATAMENTO: não há como curá-la definitivamente,
mas seus sintomas podem ser aliviados com o uso de
antiinflamatórios específicos em forma de comprimido
ou de spray, indicados nos momentos de crise.
Uma boa medida para
proteger os pequeninos das
doenças mais comuns no
inverno é manter as roupinhas
sempre limpas, o quartinho
arejado (mas sem expôr
o nenê ao vento gelado) e livre
de poeira, além de caprichar
na alimentação dos que
já comem papinhas e manter
a coberta sempre por perto
BRONQUIOLITE
O QUE É: cerca de 70% dos casos
desta doença são causados por um
pneumovírus chamado VSR (Vírus
Sincicial Respiratório). Comum no
mundo todo, ele se caracteriza por ser
sazonal ao se espalhar principalmente
durante o outono e o inverno.
Segundo o diretor médico do Centro
de Prematuros do Estado do Rio de
Janeiro, Luís Eduardo Miranda, a cada
ano, entre 2 e 4 milhões de crianças da
Terra com idade abaixo de 4 anos são
infectadas pelo vírus.
Os sintomas iniciais do contágio são
equivalentes aos da gripe, tais como
coriza, catarro e febre, que duram
de sete a 15 dias. "Mas quando a
bronquiolite está instalada, ou seja,
quando há inflamação das vias
aéreas inferiores, a criança apresenta
respiração rápida, com chiado,
cansaço e, em casos raros, dificuldade
para respirar", explica a pediatra e
gerente médica do laboratório Abbott,
de São Paulo, Ana Paula Accioly.
As possibilidades de desenvolver esta
complicação aumentam em crianças
prematuras que nascem com peso
inferior a 1quilo, com histórico de
displasia pulmonar (devido às lesões
causadas pela ventilação artificial) e
predisposição à asma, naquelas que
ainda não completaram 6 meses na
chegada do outono e do inverno, ou
que sofrem de enfermidades crônicas
(como doenças do coração). Bebês
que não foram amamentados, que
convivem com muitas pessoas ou
freqüentam creches também sofrem
maiores riscos de adquirir a doença.
Para detectar se o VSR é o responsável
pelo quadro, basta o pediatra fazer
um simples diagnóstico por meio da
coleta de secreção da nasofaringe.
COMO EVITAR: não existe uma
vacina eficaz para o problema, mas
há um medicamento injetável que
diminui as chances desta grave
infecção em até 70%. Atualmente,
a Sociedade Brasileira de Pediatria
o recomenda para os bebês do
grupo de risco (bebês portadores do
vírus HIV, prematuros e de algumas
doenças). Ele pode ser encontrado em
clínicas particulares de imunização
e, geralmente, é indicado durante os
meses de sazonalidade do VSR.
Outras maneiras de reduzir as chances
de contágio são manter medidas
básicas de higiene como lavar as mão,
uma vez que o vírus é transmitido por
secreções - sendo capaz de sobreviver
por uma hora e meia sobre superfícies
- e manter as crianças saudáveis
separadas das infectadas.
TRATAMENTO: aliviar os sintomas
da doença de acordo com o
quadro da criança, que pode ter
entre os procedimentos o uso de
broncodilatadores e nebulização.
Nesta época
do ano, o ar
também fica
mais seco, o que
contribui para
a disseminação
de doenças
decorrentes da
alergia, fique de
olho também
na pele sensível
do bebê
Sinusite
O QUE É: uma inflamação dos seios da face que ocorre devido a uma infecção viral
ou bacteriana da mucosa nasal. "Os vírus ou bactérias se instalam no muco existente
nestas regiões, provocando a inflamação que gera sintomas clínicos como dor de
cabeça, sensação de peso na face, corrimento, obstrução nasal, tosse e espirro",
detalha Renata. A sinusite pode ocorrer com mais freqüência em crianças alérgicas, já
que nelas a produção de muco é maior. "Nestes casos é chamada de sinusite alérgica
e o contato com alérgenos tende a piorar os sintomas", completa Gilberto Petty. O
diagnóstico é feito por meio de exame clínico e radiografia.
COMO EVITAR: para reduzir as chances da doença, é preciso manter uma
alimentação saudável e equilibrada a fim de reforçar a imunidade. Hábitos de
higiene, como lavar as mãos antes de comer e depois de usar o banheiro também
são fundamentais e devem ser ensinados às crianças desde pequenas. Além disso, é
preciso manter o nariz sempre limpo, evitando o acúmulo do muco. Basta usar soro
fisiológico nas narinas três vezes ao dia.
TRATAMENTO: recomenda-se analgésicos e antitérmicos e lavagem nasal
abundante com soluções salinas várias vezes ao dia para aliviar os sintomas. Se a
doença for causada por bactérias, provavelmente o médico indicará um antibiótico.
Pneumonia
O QUE É: uma infecção pulmonar
bacteriana ou viral que atinge mais
especificamente os alvéolos. Há vários
graus de pneumonia, desde o leve, que
pode ser tratado com medicamento em
casa, até o grave, na qual é necessária
a internação. Na maioria das vezes
ela é precedida de gripe ou resfriado,
especialmente os gerados pelos vírus
influenza e pela bactéria pneumococo.
"As vias aéreas têm uma flora bacteriana
natural, que atua como um protetor.
Quando a criança fica resfriada e acumula
catarro, este sistema protetor falha, fazendo
com que a infecção atinja a região do
pulmão, causando a pneumonia", esclarece
Gilberto. Os sintomas são tosse, febre, falta
de ar, dificuldade para respirar, calafrio,
dor no tórax, mal-estar pelo corpo, perda
de apetite e, em alguns casos, vômito.
"É uma doença potencialmente grave e
quanto antes for diagnosticada, melhor",
alerta Renata. Para diagnosticar, o médico
avalia se há chiados durante a respiração
e analisa os sintomas do paciente.
Geralmente, também pede-se uma
radiografia do pulmão.
COMO EVITAR: a melhor maneira de evitar
a pneumonia é ficar atenta à alimentação
do seu filho e à higiene. A dica de lavar o
nariz três vezes por dia também é válida.
Crianças gripadas que apresentam vários
dias de evolução sem melhora e sintomas
como febre alta, tosse, mal-estar geral,
apatia e perda de apetite devem ser
encaminhadas ao médico para o correto
diagnóstico e medicamento.
TRATAMENTO: é feito com antibióticos
e, nos casos mais graves, deve ter
acompanhamento clínico hospitalar.