Edição 123 - Julho/ 2008
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QUEM BATE? É O FRIO...

Com o inverno chegam também algumas doenças típicas da época. Saiba como preveni-las para deixar o bebê quentinho apenas por causa das roupas felpudas

por DIANA CORTEZ E ISIS CERCHIARI

É só o baixinho tossir ou espirrar para as dúvidas aparecerem: "Será que ele está resfriado?", "Talvez seja alérgico!", "É pneumonia?". Se você reage assim ao menor sinal de gripe do filhote saiba que não há tantos motivos para preocupação. Acontece que o sistema imunológico do bebê ainda está em formação e, justamente por isso, é mais suscetível às doenças. "Infecções e inflamações são comuns entre as crianças, principalmente quando entram na escolinha ou no berçário e passam a ter contato com os amiguinhos, que transmitem microorganismos", explica Renata Cocco, pediatra e alergista da Unifesp (Universidades Federal de São Paulo). O bom é que, apesar de chatas, estas doenças contribuem para o fortalecimento do sistema imunológico infantil, pois o organismo passa a criar anticorpos contra elas. No inverno, a tendência dos nenês adoecerem é ainda maior. A explicação para isso é simples: basta os termômetros baixarem para que as pessoas tranquem as janelas de casa e se reúnam em ambientes fechados, o que facilita a transmissão de vírus e bactérias. O vento, o frio e a poeira também contribuem para que o número de doenças aumente, pois estimulam a produção de catarro, favorecendo a colonização de microorganismos infecciosos. Agora que você sabe por que o nenê vez ou outra fica doentinho, aprenda um pouco mais sobre cada uma das enfermidades mais comuns do inverno.

Asma ou Bronquite
O QUE É: também conhecida como bronquite asmática, é uma inflamação dos brônquios e bronquíolos desencadeada pelo contato com substâncias irritantes ou por infecções respiratórias causadas por vírus e bactérias. "É comum que a asma dê seus primeiros sinais após algum resfriado ou gripe", alerta Renata Cocco. Estes elementos irritam a mucosa nasal, produzindo catarro em excesso e reduzindo o calibre dos tubos responsáveis pela passagem de ar, o que dificulta a respiração. "A doença tem componentes genéticos, ou seja, crianças com casos de asma na família estão mais propensas a desenvolvê-la", explica Renata. Os fatores desencadeantes da asma são chamados de alérgenos e os principais são: ácaro, poeira, mofo, pólen e pêlo de animais. Alguns outros fatores como fumaça, poluição e alterações bruscas de temperatura também podem piorar o quadro. Entre os sintomas estão tosse, acompanhada ou não de catarro, falta de ar, chiado e aperto no peito. Eles podem aparecer a qualquer momento do dia, porém são mais freqüentes no período da manhã e da noite, quando há queda de temperatura. O diagnóstico é feito por análise clínica, na qual o médico observa os sintomas do paciente e o histórico familiar da doença, e da espirometria, exame que quantifica o volume de ar que sai do pulmão.
COMO EVITAR: o ideal é deixar o ambiente em que a criança freqüenta bem higienizado. "Para isso deve-se evitar tudo o que acumula poeira como cortinas de tecido, carpetes, plantas com xaxim, bichinhos de pelúcia, livros em estantes, além de aquários, que formam bolor, e cigarro", orienta Gilberto Petty, pediatra e pneumologista infantil da Unifesp, Universidade Federal de São Paulo. Também é importante que o colchão e o travesseiro do bebê tenham uma capa própria contra alérgenos e que se use edredom em vez de cobertor.
TRATAMENTOS: não há uma cura definitiva para o problema, mas o médico costuma indicar medicamentos nos momentos de crise asmática, geralmente um antiinflamatório (inalado via oral), como o corticóide.

Rinite
O QUE É: trata-se de uma inflamação da mucosa nasal medicamentosa ou alérgica. Assim como a asma, ela é desencadeada pelo contato com substâncias alérgenas, mas em vez de atingir as vias aéreas inferiores (brônquios e bronquíolos), surge nas vias superiores, ou seja, no nariz. "Os alergênicos como fezes de ácaros e de baratas, mofo e mudanças bruscas de temperatura aumentam a produção de muco no nariz, obstruindo a respiração", esclarece Renata Cocco. O resultado são espirros, coriza, coceira e entupimento do nariz. A doença também tem componentes genéticos e pode ser desencadeada após um resfriado ou gripe, devido ao acúmulo de muco. O diagnóstico é feito com uma análise clínica do histórico da doença do bebê e da família, exame de sangue e testes cutâneos para descobrir se há alergia ou não.
COMO EVITAR: o segredo é deixar o ambiente onde a criança vive bem higienizado. "Deve-se evitar o acúmulo de poeira e mofo, retirando bichinhos de pelúcia do quarto e ficando atenta para a existência de baratas na casa", fala Gilberto Petty.
TRATAMENTO: não há como curá-la definitivamente, mas seus sintomas podem ser aliviados com o uso de antiinflamatórios específicos em forma de comprimido ou de spray, indicados nos momentos de crise.

Uma boa medida para proteger os pequeninos das doenças mais comuns no inverno é manter as roupinhas sempre limpas, o quartinho arejado (mas sem expôr o nenê ao vento gelado) e livre de poeira, além de caprichar na alimentação dos que já comem papinhas e manter a coberta sempre por perto

BRONQUIOLITE
O QUE É: cerca de 70% dos casos desta doença são causados por um pneumovírus chamado VSR (Vírus Sincicial Respiratório). Comum no mundo todo, ele se caracteriza por ser sazonal ao se espalhar principalmente durante o outono e o inverno. Segundo o diretor médico do Centro de Prematuros do Estado do Rio de Janeiro, Luís Eduardo Miranda, a cada ano, entre 2 e 4 milhões de crianças da Terra com idade abaixo de 4 anos são infectadas pelo vírus. Os sintomas iniciais do contágio são equivalentes aos da gripe, tais como coriza, catarro e febre, que duram de sete a 15 dias. "Mas quando a bronquiolite está instalada, ou seja, quando há inflamação das vias aéreas inferiores, a criança apresenta respiração rápida, com chiado, cansaço e, em casos raros, dificuldade para respirar", explica a pediatra e gerente médica do laboratório Abbott, de São Paulo, Ana Paula Accioly. As possibilidades de desenvolver esta complicação aumentam em crianças prematuras que nascem com peso inferior a 1quilo, com histórico de displasia pulmonar (devido às lesões causadas pela ventilação artificial) e predisposição à asma, naquelas que ainda não completaram 6 meses na chegada do outono e do inverno, ou que sofrem de enfermidades crônicas (como doenças do coração). Bebês que não foram amamentados, que convivem com muitas pessoas ou freqüentam creches também sofrem maiores riscos de adquirir a doença. Para detectar se o VSR é o responsável pelo quadro, basta o pediatra fazer um simples diagnóstico por meio da coleta de secreção da nasofaringe.
COMO EVITAR: não existe uma vacina eficaz para o problema, mas há um medicamento injetável que diminui as chances desta grave infecção em até 70%. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Pediatria o recomenda para os bebês do grupo de risco (bebês portadores do vírus HIV, prematuros e de algumas doenças). Ele pode ser encontrado em clínicas particulares de imunização e, geralmente, é indicado durante os meses de sazonalidade do VSR. Outras maneiras de reduzir as chances de contágio são manter medidas básicas de higiene como lavar as mão, uma vez que o vírus é transmitido por secreções - sendo capaz de sobreviver por uma hora e meia sobre superfícies - e manter as crianças saudáveis separadas das infectadas.
TRATAMENTO: aliviar os sintomas da doença de acordo com o quadro da criança, que pode ter entre os procedimentos o uso de broncodilatadores e nebulização.

Nesta época do ano, o ar também fica mais seco, o que contribui para a disseminação de doenças decorrentes da alergia, fique de olho também na pele sensível do bebê

Sinusite
O QUE É: uma inflamação dos seios da face que ocorre devido a uma infecção viral ou bacteriana da mucosa nasal. "Os vírus ou bactérias se instalam no muco existente nestas regiões, provocando a inflamação que gera sintomas clínicos como dor de cabeça, sensação de peso na face, corrimento, obstrução nasal, tosse e espirro", detalha Renata. A sinusite pode ocorrer com mais freqüência em crianças alérgicas, já que nelas a produção de muco é maior. "Nestes casos é chamada de sinusite alérgica e o contato com alérgenos tende a piorar os sintomas", completa Gilberto Petty. O diagnóstico é feito por meio de exame clínico e radiografia.
COMO EVITAR: para reduzir as chances da doença, é preciso manter uma alimentação saudável e equilibrada a fim de reforçar a imunidade. Hábitos de higiene, como lavar as mãos antes de comer e depois de usar o banheiro também são fundamentais e devem ser ensinados às crianças desde pequenas. Além disso, é preciso manter o nariz sempre limpo, evitando o acúmulo do muco. Basta usar soro fisiológico nas narinas três vezes ao dia.
TRATAMENTO: recomenda-se analgésicos e antitérmicos e lavagem nasal abundante com soluções salinas várias vezes ao dia para aliviar os sintomas. Se a doença for causada por bactérias, provavelmente o médico indicará um antibiótico.

Pneumonia
O QUE É: uma infecção pulmonar bacteriana ou viral que atinge mais especificamente os alvéolos. Há vários graus de pneumonia, desde o leve, que pode ser tratado com medicamento em casa, até o grave, na qual é necessária a internação. Na maioria das vezes ela é precedida de gripe ou resfriado, especialmente os gerados pelos vírus influenza e pela bactéria pneumococo. "As vias aéreas têm uma flora bacteriana natural, que atua como um protetor. Quando a criança fica resfriada e acumula catarro, este sistema protetor falha, fazendo com que a infecção atinja a região do pulmão, causando a pneumonia", esclarece Gilberto. Os sintomas são tosse, febre, falta de ar, dificuldade para respirar, calafrio, dor no tórax, mal-estar pelo corpo, perda de apetite e, em alguns casos, vômito. "É uma doença potencialmente grave e quanto antes for diagnosticada, melhor", alerta Renata. Para diagnosticar, o médico avalia se há chiados durante a respiração e analisa os sintomas do paciente. Geralmente, também pede-se uma radiografia do pulmão.
COMO EVITAR: a melhor maneira de evitar a pneumonia é ficar atenta à alimentação do seu filho e à higiene. A dica de lavar o nariz três vezes por dia também é válida. Crianças gripadas que apresentam vários dias de evolução sem melhora e sintomas como febre alta, tosse, mal-estar geral, apatia e perda de apetite devem ser encaminhadas ao médico para o correto diagnóstico e medicamento.
TRATAMENTO: é feito com antibióticos e, nos casos mais graves, deve ter acompanhamento clínico hospitalar.

 
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