NORMAL OU CESÁREA? Ó DÚVIDA CRUEL
O Ministério da Saúde aponta que, no Brasil, 79% dos partos são cesáreas, enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda 20%. Afinal, existe um método ideal?
por PATRICIA BOCCIA
De um lado, há um forte movimento a favor do parto normal por parte da sociedade e de instituições. De outro, os palpites de amigas que fizeram cesáreas e acharam a maior tranqüilidade. E a grávida, no meio dessa história toda, fica perdida. Será que é melhor pedir para o obstetra já marcar uma data ou esperar que a gravidez siga seu ciclo normal? O primeiro passo para resolver essa angústia é confiar no médico para ter a certeza de que ele realmente vai indicar o que é melhor para você e para o bebê. É certo que há um exagero no número de cesáreas realizadas. "A falta de informação cria temores nas mulheres que sentem medo da dor e de não conseguir fazer força na hora certa", opina Daniela Buono, jornalista e uma das fundadoras do grupo Parto do Princípio (www.partodoprincipio.com.br), que tem como objetivo lutar pela melhoria das condições de atendimento ao parto no país. Por outro lado, segundo o obstetra Abner Augusto Lobão Neto, coordenador do Serviço de Pré-Natal Personalizado da Universidade Federal de São Paulo, os médicos têm sua parcela de culpa por falta de preparo em fazer partos normais e pelo desinteresse em passar horas acompanhando uma única paciente. Aqui você fi- cará conhecendo melhor os dois métodos para poder discutir com seu médico e chegarem a uma boa escolha.
Números do exagero O Brasil mantém uma taxa altíssima de cesáreas (79,7% - relativo ao atendimento coberto pelos usuários de planos de saúde e 27,5% das pacientes que utilizam o SUS) quando comparada à máxima aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que é de 15%. Em países como a Holanda, por exemplo, o índice é de 14%. Na Noruega e Suécia, 16% e na Dinamarca, 17%.