O nascimento de minha filhota, Laura, estava previsto para janeiro,
em São Paulo, época de chuvas colossais na capital paulista. Por isso
planejei todos os detalhes para ter controle da situação. Ou, pelo menos,
era isso o que eu pensava. Em primeiro lugar, escolhi uma obstetra de
confiança. Daquele tipo de médica de convênio que une simpatia, excelente
formação e competência profissional. Fiz o prénatal passo a passo, com
todos os exames de protocolo a que tinha direito (qual mãe vai perder
a chance de fazer o emocionante ultra-som?). Tudo estava encaminhado:
maternidade de primeira linha escolhida com antecedência, aval da profissional,
enxoval arrumado e várias questões organizadas no trabalho para curtir
a licença-maternidade.
A data prevista era 25 de janeiro. No dia 23 à tarde, comecei a me sentir
estranha. Com medo de ter o bebê dentro do carro parado em um congestionamento,
liguei logo para a médica, que recomendou que eu fosse para o hospital.
A partir daí, minha cartilha do parto zen foi para o espaço! Depois de
vários exames, os médicos descobriram que Laura estava com bradicardia,
isto é, seu coração batia menos do que o normal. Indicação? Cesária. Logo
eu, que me julgava uma bela parideira. . .
Para resumir a história, minha menina nasceu superbem - é uma garotinha
linda de cabelos loiros e olhar supermeigo -, a equipe foi ótima, a instituição
hospitalar impecável na missão de proteger mãe e filha, mas levei um bom
tempo para aceitar que o acontecido tinha sido o melhor para nós.
Ao longo dos últimos anos, conversando com muitas mães, seja para elaborar
reportagens para Meu Nenê, seja por curiosidade pessoal,
percebi que as coisas não saem sempre como o planejado. Para você não
ter a mesma quebra de expectativa que tive, levantamos os principais desvios
de rota e como se preparar para lidar com eles. As dicas são da obstetra
Rosiane Mattar, da Universidade Federal de São Paulo. Mas já aviso: flexibilidade
é vital para ficar tranqüila e acolher seu filhote com toda a calma e
amor que ele merece. Pode ser difícil de acreditar, mas as melhores histórias
que você contará para os amigos sobre esse momento inesquecível da sua
vida provavelmente serão sobre os eventos que saíram do script.
O médico não dá o apoio desejado
Escolher um profissional que transmita segurança é essencial. Às vezes,
entretanto, algo foge ao controle e o parto acaba sendo feito por um plantonista
numa unidade de emergência. Se esse for o caso, busque por um profissional
com capacidade de atendimento adequado.
O bebê tem sofrimento fetal e é preciso fazer cesariana
A indicação de cesariana por causa do quadro de sofrimento fetal ocorre
entre 2% e 3% dos trabalhos de parto. Os marcadores dessa avaliação são
principalmente a bradicardia (diminuição do ritmo cardíaco, observada
no exame de cardiotocografia ), seguida da alteração da cor do líquido
amniótico, que fica mais escuro, sinal da presença de fezes (mecônio)
do bebê. Mas não se apavore: o diagnóstico é apenas uma suspeita. Em países
da Europa, a dúvida é confirmada com uma punção do couro cabeludo do nenê
por meio da vagina da mãe para avaliar a acidose sanguínea, o que dá para
concluir com certeza se ele está recebendo o oxigênio de que precisa.
No Brasil, as crianças com suspeita de bradicardia em geral nascem bem,
pois o estado de acidose era alarme falso.
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