Edição 81 - Janeiro/2005
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Saiba lidar com as surpresas na hora do parto
Você planejou o grande dia tintim por tintim, certo? Mesmo assim, é bom ter em mente que algumas situações podem sair de forma diferente do esperado. Veja como se preparar para lidar tranqüilamente com as novidades de última hora

Monica Martinez

O nascimento de minha filhota, Laura, estava previsto para janeiro, em São Paulo, época de chuvas colossais na capital paulista. Por isso planejei todos os detalhes para ter controle da situação. Ou, pelo menos, era isso o que eu pensava. Em primeiro lugar, escolhi uma obstetra de confiança. Daquele tipo de médica de convênio que une simpatia, excelente formação e competência profissional. Fiz o prénatal passo a passo, com todos os exames de protocolo a que tinha direito (qual mãe vai perder a chance de fazer o emocionante ultra-som?). Tudo estava encaminhado: maternidade de primeira linha escolhida com antecedência, aval da profissional, enxoval arrumado e várias questões organizadas no trabalho para curtir a licença-maternidade.

A data prevista era 25 de janeiro. No dia 23 à tarde, comecei a me sentir estranha. Com medo de ter o bebê dentro do carro parado em um congestionamento, liguei logo para a médica, que recomendou que eu fosse para o hospital. A partir daí, minha cartilha do parto zen foi para o espaço! Depois de vários exames, os médicos descobriram que Laura estava com bradicardia, isto é, seu coração batia menos do que o normal. Indicação? Cesária. Logo eu, que me julgava uma bela parideira. . .

Para resumir a história, minha menina nasceu superbem - é uma garotinha linda de cabelos loiros e olhar supermeigo -, a equipe foi ótima, a instituição hospitalar impecável na missão de proteger mãe e filha, mas levei um bom tempo para aceitar que o acontecido tinha sido o melhor para nós.

Ao longo dos últimos anos, conversando com muitas mães, seja para elaborar reportagens para Meu Nenê, seja por curiosidade pessoal, percebi que as coisas não saem sempre como o planejado. Para você não ter a mesma quebra de expectativa que tive, levantamos os principais desvios de rota e como se preparar para lidar com eles. As dicas são da obstetra Rosiane Mattar, da Universidade Federal de São Paulo. Mas já aviso: flexibilidade é vital para ficar tranqüila e acolher seu filhote com toda a calma e amor que ele merece. Pode ser difícil de acreditar, mas as melhores histórias que você contará para os amigos sobre esse momento inesquecível da sua vida provavelmente serão sobre os eventos que saíram do script.

O obstetra foi para um congresso

ILUSTRAÇÕES:ORLANDOOs bons profissionais viajam freqüentemente para se atualizar, visto que a medicina está em constante evolução. Da mesma forma eles dificilmente embarcam para qualquer ponto do mundo sem deixar um time de reserva a postos para eventuais atendimentos. Em vista disso, qual a melhor maneira de ficar por dentro da agenda de seu obstetra e não ser pega desprevenida? Fazer direitinho o prénatal, que permite o relacionamento mais próximo com toda a equipe.

O médico não dá o apoio desejado
Escolher um profissional que transmita segurança é essencial. Às vezes, entretanto, algo foge ao controle e o parto acaba sendo feito por um plantonista numa unidade de emergência. Se esse for o caso, busque por um profissional com capacidade de atendimento adequado.

O bebê tem sofrimento fetal e é preciso fazer cesariana
A indicação de cesariana por causa do quadro de sofrimento fetal ocorre entre 2% e 3% dos trabalhos de parto. Os marcadores dessa avaliação são principalmente a bradicardia (diminuição do ritmo cardíaco, observada no exame de cardiotocografia ), seguida da alteração da cor do líquido amniótico, que fica mais escuro, sinal da presença de fezes (mecônio) do bebê. Mas não se apavore: o diagnóstico é apenas uma suspeita. Em países da Europa, a dúvida é confirmada com uma punção do couro cabeludo do nenê por meio da vagina da mãe para avaliar a acidose sanguínea, o que dá para concluir com certeza se ele está recebendo o oxigênio de que precisa. No Brasil, as crianças com suspeita de bradicardia em geral nascem bem, pois o estado de acidose era alarme falso.

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